F1: Pilotos desconfiam das novas regras para 2011
Segurança, afastamento dos valores da Fórmula 1, aproximação aos jogos de computador – os pilotos colocam em questão as novas regras
25/06/2010 em Fórmula 1
Os pilotos estão a olhar com desconfiança para as novidades anunciadas ontem, pelo Conselho Mundial do Desporto Motorizado da FIA (Federação Internacional do Automóvel), especialmente para a introdução de asas traseiras ajustáveis pelo próprio piloto.
Mark Webber (Red Bull-Renault), Robert Kubica (Renault), Jarno Trulli (Lotus-Cosworth) e Adrian Sutil (Force Índia-Mercedes), presentes hoje na conferência de imprensa de antevisão do GP da Europa, que se disputa neste fim-de-semana no circuito de Valência (Espanha), colocaram muitas reservas em relação a aspectos relacionados com a segurança e até com a pureza da competição.
O sistema proposto permitiria ao piloto que rodasse atrás de um adversário, em pontos pré-determinados do circuito, ser autorizado a ajustar a asa traseira para conseguir maior velocidade e concretizar a ultrapassagem. Não foram avançados muitos detalhes, mas o que já é conhecido não conta com a aprovação dos pilotos.
“Acho que é bom para a PlayStation, mas não sei como vai funcionar na Fórmula 1”, comentou Webber. “Teremos de avaliar melhor, perceber melhor e ter a certeza de que será benéfico para todos – os pilotos, o espectáculo, os espectadores e a segurança, o que é muito importante.”
“As ultrapassagens devem ser resultado da pressão, da habilidade e da táctica. É claro que queremos ver mais ultrapassagens, mas também temos de preservar o elemento talento. As ultrapassagens não devem ser só apertar botões, como o KERS ou as asas ajustáveis. Não se trata da IRL [IndyCar], onde todos se ultrapassam quatro vezes por volta e toda a gente fica aborrecida”, acrescentou o australiano.
Robert Kubica concorda: “Se as asas mexerem muito, vamos ver ultrapassagens em linha recta e não vejo onde está a excitação nisso. A asa dianteira [ajustável] foi introduzida para ajudar nas ultrapassagens e vimos que não funcionou.”
Acidentes perigosos
Jarno Trulli destacou os aspectos de segurança, sugerindo mesmo que a FIA devia avançar com um protótipo. “Só li algumas coisas sobre os novos regulamentos e não gostei da asa traseira ajustável, por causa das questões de segurança. Pode ser apenas uma preocupação estúpida. Ainda vou falar com os engenheiros, mas temos de garantir que podemos correr em segurança. Já perdi a asa traseira algumas vezes e é a coisa mais perigosa que pode acontecer, porque perdemos o controlo do carro. Normalmente acontece a altas velocidades e acaba com um acidente contra a parede. Já tive problemas com a asa traseira com a Renault e com a Toyota, em testes, e com a Jordan em Monza, tive sempre muita sorte, mas é muito mau para quem não tiver sorte.”
“Até sugiro à FIA que desenhe e construa a mesma asa para todas as equipas, porque se não for assim pode acontecer uma falha e nós não queremos isso”, acrescentou o italiano.
Adrian Sutil também tem muitas dúvidas: “É bom para o espectáculo. Acho que não é bom do ponto de vista dos pilotos, que não vão poder defender a posição. O carro que está atrás já tem vantagem, se mexer na asa vai ganhar mais cinco ou dez km/h. Não sei. Estão a acontecer muitas coisas ao mesmo tempo.”
Mitsubishi
6 800 € 6 500 €Citroen
11 450 € 10 900 €BMW
23 750 € 23 500 €Hyundai
4 700 € 3 700 €Vw
16 500 € 15 480 €


