Hugo Magalhães: «A curtos passos de uma tragédia!»

Hugo Magalhães, navegador de Bruno Magalhães, não escondeu a revolta pelo que aconteceu no Rali do Chipre, nomeadamente a saída de estrada onde ficaram igualmente mais dois adversários. O piloto português ocupava a terceira posição quando o incidente teve lugar.

A curtos passos de uma tragédia!
Quando estou envolvido em determinadas situações sou obrigado a parar para pensar, refletir e analisar.
Quando me corre nas veias aquilo que faço, sou interveniente e quero mais para o meu desporto sou obrigado a falar, porque não é a assobiar para o ar ou passear o fato e o capacete que as coisas melhoram.

Após analisar este vídeo a frio deparo-me com muitas coisas que podiam e deviam ser diferentes e dois acidentes eram evitáveis sem ter a mínima margem para dúvida. Na hora do acidente não consegui dizer uma palavra por mais de 2 horas e depois preferi esfriar a cabeça.
Isto não serve nem é uma desculpa para o que nos aconteceu no Chipre, isto é um alerta para que nunca mais se repita algo do género por esse mundo fora de ralis.

Esta é a minha sincera e humilde opinião sobre o sucedido sem querer culpar ninguém. Apenas uma análise dos factos feita de uma forma fria.
O que poderia e deviera ser diferente na minha opinião?

Após a primeira saída de estrada está no local um marshall e o co-piloto Baran (ver vídeo onboard Murat). Ambos estão com uma atitude demasiado passiva, colocados no lado errado da estrada, um mostrando o OK e bem! O outro sem nada fazer apenas olhando.

Porque digo que estão do lado errado?
Quando nos aproximamos e os vimos é natural que naquele instante se retire os olhos da estrada e se perca a concentração e quando se volta a olhar em frente é ou foi demasiado tarde. Ao mesmo tempo pensamos que o carro estará parado após a curva.
Em função do perigo eminente de outro carro cair em cima do primeiro um deles deveria estar do lado esquerdo da estrada junto a curva avisando para se abrandar e se encostaram o máximo para a direita, o outro devia estar na curva anterior como um primeiro aviso e ainda para mais quando saímos de um topo sem visibilidade.

Mais incompreensível é quando somos nós a chegar nada muda ou piora. O co-piloto continua no mesmo local com a mesma atitude passiva e o marshall vai para o outro lado da montanha assistir ao que se passa e esquece o seu trabalho.

Estão dois carros caídos no mesmo local, estão 3 pilotos a tentar subir e nada de diferente se faz? Tudo isto é bem visível no vídeo. Podemos ver um a subir de gatas em frente ao nosso carro, outro a saltar para o lado quando nos vê em queda e outro estava junto ao carro mais protegido.

Por milagre não atingimos 3 pessoas e hoje estávamos aqui a lamentar mais um trágico acontecimento nos ralis.

Mais um acontecimento para reflectir mas essencialmente para agir e fazer diferente.

Veja o que aconteceu:

Partilhar

Comentários

Comments are closed.