TT: As "sombras" portuguesas ao serviço de alguns campeões
A história de dois mecânicos portugueses na equipa oficial X-Raid, responsáveis pelos X3 CC de Filipe Campos e Bernardo Moniz da Maia
19/03/2011 em Todo-o-Terreno
Nomes como Stéphane Petterhansel ou Nasser Al-Attiyah são sobejamente conhecidos por todos os amantes do todo-o-terreno internacional, mas são as “sombras” anónimas como Marco Moreiras ou Miguel Moreira que os põem a andar.
Há 18 anos no todo-o-terreno, Miguel Moreira, chefe mecânico da equipa oficial X-Raid, diz que “é um bocado trabalhoso” andar sempre às voltas pelo mundo.
“Muitos aviões, para cima para e para baixo, muitas horas sem dormir, mas, no final, como se faz por gosto é bom”, afirmou.
No último Dakar trabalhou com o russo Leonid Novitsky, piloto oficial da X-Raid e, em Portugal, faz parte da equipa de Filipe Campos, campeão português.
“A experiência num Dakar é um pouco árdua, mas é boa, porque se gosta do que se está a fazer. No final, é extremamente gratificante, em especial quando se ganha”, afirmou.
Actualmente na X-Raid há quatro portugueses a trabalhar, com Miguel Moreira a dizer que “não há rivalidades nenhumas, porque vivem praticamente juntos”, garantindo que têm de “ser uma família para conseguirem trabalhar”.
Já Marco Moreiras, que actualmente é o responsável pelo carro de Bernardo Moniz da Maia no campeonato português, diz que “é extremamente motivante” trabalhar neste meio.
“Andamos também a representar o país, a demonstrar a qualidade que há em Portugal. É extremamente gratificante. Aprendemos bastante com os níveis de evolução que há em países mais desenvolvidos em termos de desporto automóvel”, referiu.
Este ano, acompanhou o argentino Orlando Terranova no Dakar, mas já trabalhou com outros grandes nomes da modalidade, entre os quais o vencedor da última edição do Dakar, com quem estabeleceu “uma excelente relação”.
“Todos têm as suas qualidades. Foi extremamente gratificante ter trabalhado com o Nasser Al-Ittihad. Temos trabalhado com Stéphane Petterhansel, mas tive uma excelente relação com o Nasser”, afirmou.
Mas não só de competição vivem estes homens, às vezes é preciso ajudar na promoção, a lavar carros ou a ajudar pessoas pouco habituadas a estas velocidades a entrar para um carro de competição.
O fadista Camané foi um dos que teve a oportunidade de poder fazer de copiloto de Filipe Campos, no terródromo de Arraiolos.
“Foi uma experiência fantástica. Estou sem palavras, gostei muito. Não tive medo nenhum. Senti alguma confiança. Falámos um pouco. Adorei o salto e algumas curvas”, afirmou o fadista.


