Africa Race: Elisabete Jacinto não se arrepende

Maratona africana de todo-o-terreno terminou em Dacar, com reduzido interesse desportivo
11/01/2010 em Velocidade

Africa Race: Elisabete Jacinto não se arrepende

Jean-Louis Schlesser, nos automóveis, Marco Capodacqua, nas motos, e Miklos Kovacs, nos camiões, foram os vencedores do Africa Race, competição de todo-o-terreno que partiu de Portimão, no Algarve, e terminou hoje em Dacar, capital do Senegal. A prova, idealizada para oferecer uma alternativa africana ao novo Dakar sul-americano (a tradicional prova de todo-o-terreno disputa-se pela segunda vez consecutiva na Argentina e Chile, devido à instabilidade e ameaças terroristas em vários países africanos), não conseguiu atrair mais de 22 equipas e ofereceu um reduzido interesse competitivo.

Nos automóveis, terminaram 14 dos 15 participantes – mas os últimos acabaram a mais de 200 horas do primeiro, depois de um autêntico passeio por Marrocos, Mauritânia e Senegal. A vitória de Jean-Louis Schlesser, o único piloto com créditos firmados presente, nunca esteve em causa – o francês, num 'buggy' Schlesser, terminou as 11 etapas da prova com uma vantagem de 1h29m45s sobre o seu compatriota Jerome Pelichet (Bowler). François Lethier (Buggy) completou o pódio, a quase três horas do vencedor.

Nas motos, Marco Capodacqua (KTM) superiorizou-se a Alberto Dottori (KTM), mas o pódio não chegou a completar-se porque o terceiro participante, Giovanni Stefani (Yamaha) abandonou. Entre os camiões, o húngaro Miklos Kovacs (Scania) venceu com grande facilidade, superando por mais de quatro horas o MAN do belga Noel Essers.

Elisabete critica Dakar

Para os portugueses, o maior motivo de interesse nesta competição passou pela participação de Elisabete Jacinto, ao volante do camião MAN TGS. Apesar de ter abandonado a prova na sétima etapa, devido a problemas mecânicos, a piloto portuguesa gostou da participação e não está arrependida por ter escolhido o Africa Race em detrimento do mais mediático Rali Dakar sul-americano.

“Infelizmente para nós, que muito trabalhámos para aqui estar nas melhores condições que alguma vez tivémos para enfrentar esta longa maratona africana, surgiu uma situação que foge do nosso controle e que nos impediu de poder alcançar, quem sabe, aquela que seria uma importantíssima vitória. Senti-me confiante, com uma excelente máquina e travei um duelo dos mais interessantes da minha carreira” explica Elisabete Jacinto, que venceu duas etapas e seguia no segundo lugar entre os camiões quando abandonou.

A piloto portuguesa também aproveita para acompanhar o que se passa no Dakar sul-americano, e não se mostra arrependida por ter optado por outras paragens: “Sei que os portugueses estão a conseguir boas prestações e faço votos para que assim seja até ao final da corrida. Soube, por outro lado, que, tal como eu suspeitava, o traçado não tem sido minimamente interessante para os camiões e o desconforto é enorme por parte da maioria dos presentes. Essa foi uma das razões que me levou a optar pelo Africa Race e percebo que fiz uma excelente escolha. Já disse e repito: o René Metge fez um trabalho fabuloso na escolha dos percursos, com 'road-books' muito próximo do perfeito e fazer estas pistas sem encontrar grandes traços e muito menos regos e tudo cavado, como sempre me aconteceu no passado, é de um prazer que supera tudo o que pode faltar à prova noutros domínios.”

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