"As corridas estão no ADN da Ferrari"
Luca di Montezemolo agradece o apoio dos 'tifosi' e ameaça inscrever os carros da Ferrari noutra categoria se for “obrigado” a deixar a Fórmula 1
13/05/2009 em Velocidade
Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, agradeceu hoje na página oficial da equipa o apoio recebido de adeptos de todo o mundo após ter anunciado na terça-feira que a equipa não se inscreverá no Mundial de Fórmula 1 do próximo ano se a Federação Internacional do Automóvel (FIA) mantiver as regras recentemente aprovadas para 2010, incluindo um tecto orçamental opcional para equipas que usufruam depois de maiores liberdades de desenvolvimento dos seus carros.
“Caros amigos, desejo agradecer-vos pessoalmente as muitas mensagens de apoio que recebemos de todo o mundo através do nosso site e dos nossos emails. É importante saber que podemos contar com o apoio dos nossos 'tifosi' em todo o mundo e saber que partilham as motivações que nos levaram a dar este passo. Se formos obrigados a deixar um campeonato em que fomos protagonistas ao longo dos 60 anos da nossa história é porque querem alterar os seus valores fundamentais. Se isso acontecer, quero dizer que os nossos carros correrão em outra competição onde, estou seguro, encontrarão o entusiasmo e a paixão dos milhões de 'tifosi' que nos seguem em todas as partes do mundo”, escreve Montezemolo.
“As corridas farão sempre parte do ADN da Ferrari e isso nunca mudará”, conclui o presidente da Ferrari – que na terça-feira anunciou também um lucro de 54 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, registando uma ligeira queda relativamente aos 59 milhões de euros de lucros registados no mesmo período do ano passado.
Massa e Raikkonen de acordo
Também Felipe Massa e Kimi Raikkonen, os actuais pilotos da Ferrari, declararam o apoio às decisões da direcção. “Compreendo a motivação, as razões pelas quais a compenhia chegou a este ponto. A ideia de ter um Mundial a duas velocidades (...) é um absurdo. Já vimos este ano que as indefinições em relação aos regulamentos levaram a muita confusão, não só para nós, mas sobretudo para os adeptos. Imaginem o que pode acontecer com o que está previsto para 2010”, afirma o brasileiro.
“Para um piloto, correr com a Ferrari na Fórmula 1 é um sonho e eu realizei o meu. Para mim, Ferrari é sinónimo de corridas desde que era criança. É por isso que estou convencido de que, mesmo que a 'Scuderia' seja forçada a deixar a Fórmula 1, haverá outras competições onde será possível ver os 'reds' na pista”, conclui Massa.
Para Raikkonen, é “difícil imaginar a Fórmula 1 sem a Ferrari”: “Quando estava na McLaren, a Ferrari era o adversário com que nos comparávamos. Desde que cheguei aqui percebi que é muito mais do que uma equipa, é uma lenda, perpetuada através dos seus carros de estrada e de corrida.”
“Não posso imaginar pilotos a competirem na pista com carros construídos de acordo com regulamentos diferentes – isso não seria bom para o desporto nem para os adeptos. Se isso acontecer, será muito mau e compreendo que uma empresa como a Ferrari pense em correr noutra disciplina”, conclui o finlandês.
A Ferrari é a única equipa que participou em todas as corridas de Fórmula 1 desde a introdução da modalidade – há exactos 59 anos estava na grelha de partida de Silverstone para o primeiro GP da Inglaterra da história, disputado a 13 de Maio de 1950. Já disputou 780 Grandes Prémios, vencendo 209. Os seus pilotos ganharam 14 títulos mundiais, incluindo os cinco consecutivos de Michael Schumacher, já no século XXI. Com 72 vitórias, o piloto alemão é o mais vitorioso da história da equipa.


