F1: Renault ameaçada pelo "erro de duas pessoas"
Director geral do construtor francês diz que o comportamento de Flavio Briatore e Pat Symonds não pode comprometer a empresa
17/09/2009 em Velocidade
Patrick Pélata, director geral da Renault, admitiu hoje que o afastamento de Flavio Briatore e Pat Symonds da equipa de Fórmula 1 foi uma consequência dos erros cometidos por ambos no GP de Singapura de 2008. A Renault vai responder no próximo dia 21, perante o Conselho Mundial do Desporto, à acusação de ter tramado um plano, que incluía um acidente provocado por Nélson Piquet Jr, para permitir que Fernando Alonso pudesse chegar à vitória em Singapura. O construtor francês já revelou que não vai contestar as acusações, e Pélata espera que o afastamento dos dois dirigentes resulte numa sanção mais leve.
“Nós não gostamos, mas o erro de duas pessoas não deve comprometer o trabalho de toda uma empresa e de toda uma equipa de Fórmula 1”, afirmou o director geral do construtor francês. “Não sei todos os detalhes [do caso], mas existiu uma falta e isso exige uma sanção. Piquet já se tinha ido embora e o Pat Symonds também. Briatore considerou que era moralmente responsável e despediu-se. Saberemos mais detalhes depois do que acontecer na próxima segunda-feira, com a FIA. Neste momento temos teorias, mas é obvio que existiu um erro”, referiu Pélata à rádio francesa RTL.
Patrick Pélata disse ainda que esta não é uma boa altura para discutir o futuro da marca na Fórmula 1, onde recentemente assinou o novo Pacto de Concórdia, que estabelece a sua participação até ao Mundial de 2012. “Este não é um debate para agora, temos de o fazer com calma”, disse o dirigente, que desmentiu a possibilidade de Alain Prost, antigo tetracampeão mundial de F1, assumir o lugar deixado vago por Flavio Briatore.
Briatore quebrou o silêncio e, numa curta declaração ao jornal britânico “The Mirror”, diz que se afastou para salvar a equipa Renault: “Eu apenas tentei salvar a equipa. É o meu dever. Foi por essa razão que saí.”
Expectativas pela pena
Bernie Ecclestone, detentor dos direitos comerciais da Fórmula 1 e próximo de Briatore (são co-proprietários da equipa britânica de futebol Queens Park Rangers), confessou ter ficado surpreendido com todo o caso. “Tenho muita, muita pena pelo fim da sua ligação à Fórmula 1. Tenho pena dele. Obviamente, estou admirado com o que aconteceu e fui apanhado de surpresa pela partida deles”, afirmou Ecclestone à agência noticiosa Associated Press, adiantando ainda estar “surpreendido por ver o Pat [Symonds] deixar-se envolver”.
“Não faço ideia do que vai acontecer. Temos de esperar. Para ser sincero, não quero fazer comentários acerca do Conselho Mundial”, acrescentou Ecclestone.
Niki Lauda, antigo tricampeão mundial de Fórmula 1, disse ao jornal britânico “Daily Mail” que este “é o maior escândalo de sempre na F1”: “Agora, a FIA tem de punir a Renault de forma pesada para restaurar a credibilidade do desporto.”
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