FIA declara guerra na Fórmula 1

Posições extremadas: Mosley confirma novos regulamentos e tecto orçamental e acusa as equipas de tentarem gerir a Fórmula 1
16/06/2009 em Velocidade

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A Federação Internacional do Automóvel (FIA) e o seu presidente, Max Mosley, declararam nesta terça-feira guerra aberta com as equipas de Fórmula 1 representadas na FOTA, relativamente à inscrição e participação no Mundial de 2010. Depois de mais uma reunião falhada, a FIA emitiu dois comunicados duríssimos para as equipas, que acusa de tentarem assumir o controlo dos regulamentos e dos direitos comerciais da disciplina, considerando isso inaceitável.

A FIA começa por relatar uma reunião decorrida hoje, com representantes da FOTA, que deveria analisar as propostas de redução de custos trazidas pelas equipas. De acordo com a FIA, os especialistas financeiros alegaram não estar mandatados para discutir os regulamentos. “Desta forma, a reunião não poderia atingir o seu objectivo de comparar as regras da FIA com as propostas da FOTA, visando encontrar uma posição comum”, lê-se no comunicado.

A FIA anunciou de imediato que assim se mantêm em vigor os regulamentos aprovados em Março pelo Conselho Mundial do Desporto, incluindo o tecto orçamental de 44 milhões de euros. A Federação deve anunciar na próxima sexta-feira o nome das equipas inscritas para o Mundial 2010.

A lista provisória inclui a Williams e a Force Índia (que confirmaram a inscrição em função de compromissos comerciais assumidos anteriormente), três novas equipas (Manor GP, Campos GP e US F1), três equipas com inscrição condicional, mas que a FIA considera obrigadas contratualmente a participar no Mundial 2010 (Ferrari, Red Bull e Toro Rosso), e cinco equipas com inscrição provisória, que deveriam efectivar até sexta-feira (McLaren, Toyota, Renault, BMW-Sauber e Brawn GP).

Documentos públicos

Mais tarde, a FIA divulgou um extenso comunicado de imprensa, onde faz o histórico da actual situação, procura desmontar os argumentos da FOTA e acusa as equipas de boicotar os esforços de redução de custos e a entrada de novas equipas na disciplina. “A FIA e a FOM levaram décadas a construir o Mundial de Fórmula 1 e a torná-lo a competição mais vista na história do desporto motorizado. Perante esse sucesso, a FOTA – cujos integrantes entram e saem de acordo com os seus próprios interesses – declarou dois objectivos claros: retirar à FIA o controlo dos regulamentos e expropriar os direitos comerciais em benefício próprio. A FIA não pode aceitar esses objectivos”, diz o comunicado.

Para além destes dois comunicados, a FIA divulgou no seu site oficial uma série de documentos trocados desde o início da crise dos regulamentos, incluindo a correspondência entre Luca di Montezemolo (presidente da Ferrari) e Max Mosley, entre o advogado da Ferrari (Henry Peter) e o secretário-geral da FIA (Pierre de Coninck), e o aditamento ao Pacto de Concórdia feito em 2005, estendendo-o até 2012.

A Ferrari voltou a não querer comentar os últimos desenvolvimentos da discussão entre a FIA e a FOTA, mas Luca di Montezemolo disse ao jornal italiano “La Gazzetta dello Sport” que não mudou de opinião: “Da nossa parte, apenas podemos reafirmar a nossa posição: colocámos condições claras para participar no campeonato e a nossa posição não se alterou.”

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