Mosley: "As equipas não podem ditar as leis" na Fórmula 1
Presidente da FIA endurece o discurso um dia antes do fecho das inscrições para o Mundial 2010, mas o acordo parece mais próximo
28/05/2009 em Velocidade
O presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA), Max Mosley, voltou a criticar duramente as equipas de Fórmula 1, um dia antes do encerramento das inscrições para o Mundial 2010. Reunidas na FOTA, as equipas pedem a suspensão dos regulamentos aprovados para o próximo Mundial, incluindo o tecto orçamental de 44 milhões de euros.
“Se nos convencermos, e eu estou convicto, de que a Fórmula 1 não pode sobreviver com este nível de despesas, é necessário intervir. É preciso fazer o máximo para convencer todas as equipas a permanecerem, em particular equipas históricas como a Ferrari. Mas, no fim, não podemos dar-lhes o comando”, referiu Mosley à agência de notícias alemã DPA.
Para o presidente da FIA, “a Fórmula 1 ficaria mais pobre sem a Ferrari, mas não podemos deixar que sejam eles a ditar as leis”. Mosley recordou que os advogados da Ferrari defenderam recentemente, num Tribunal francês, que as equipas de topo gastam entre 400 e 500 milhões de euros anualmente. “Para mim, isso é uma situação insustentável. Não posso pensar que a BMW possa continuar a gastar tanto na F1, assim como a Toyota”, enfatizou Mosley.
“Se tivermos sucesso, essas equipas gastarão apenas 40 milhões e os grandes construtores decidirão ficar no 'Circo' por razões de imagem e publicidade. E posso assegurar que o público que segue ao vivo e pela televisão não notará qualquer diferença. E não haverá qualquer vantagem ou desvantagem para ninguém, porque todos estarão na mesma posição”, acrescentou.
Mosley voltou a criticar a posição da Ferrari, que tem liderado a oposição das equipas aos novos regulamentos: “A Ferrari ironizou sobre os nomes das novas equipas. Mas esquecem que o Enzo Ferrari, em 1948, começou a partir do zero. Se se impedir a entrada de novos competidores, a F1 morre. Não podem ser apenas as 'velhas equipas'”.
Do lado das equipas, parece ganhar força a possibilidade de efectuarem amanhã, sexta-feira, uma inscrição provisória, que ficaria dependente do bom termo das negociações com a FIA com vista à suspensão dos novos regulamentos. As equipas estariam na disposição de prosseguir os esforços de redução progressiva dos custos e de apoiarem a entrada de novas equipas na modalidade nesta fase de transição.
Das actuais dez equipas de Fórmula 1, apenas a Williams já anunciou que confirmará a inscrição no próximo Mundial, sendo por isso suspensa da FOTA. A FIA admite contar com 13 equipas no início do próximo campeonato.


