Hyundai Kona e outros nomes infelizes

Carros que tiveram de mudar de nome há muitos: em Portugal, por exemplo, o Opel Ascona foi rebaptizado 1604 ou 1904. Em Espanha, o Mitsubishi Pajero mudou para Montero, e em França, o Toyota MR-2 passou simplesmente para MR.

O último caso aconteceu por estes dias com a Hyundai Portugal, que viu-se, subitamente, obrigada a repensar o nome para o novo SUV compacto, que vai chamar-se Kona. Em Portugal, o modelo que chega em setembro vai assumir um mais consensual nome de Kauai.

O nome original, que vai estar disponível em toda a Europa, com exceção de Portugal, surgiu em alusão ao distrito de Kailua-Kona, na Ilha do Havai, a maior de todo o arquipélago americano. Já o nome Kauai continua a remeter para as ilhas havaianas mas sem o perigo de dar origem a trocadilhos e outras piadas…

Mas este é só um dos muitos exemplos de nomes que estiveram longe de ser consensuais, alguns dos quais obrigaram à adoção de uma outra denominação em determinados mercados mundiais.

O mais popular de todos foi, certamente, o Opel Ascona, que passou a chamar-se em Portugal de 1604 e 1904, conforme a cilindrada fosse 1.6 ou 1.9, ou o Misubishi Pajero, que em Espanha passou a chamar-se de Montero, (em Espanha Pajero tem a conotação de “pessoa que se masturba”).

Outro exemplo é o Toyota MR-2, que em França foi alterado para MR, visto que MR-2 confundia-se com a expressão emmerdeur, que significa, basicamente, “chato”, “complicativo”, “quezilento”, “empata”.

Tivemos ainda o Fiat Punto e Seicento versão Sporting, que em Portugal perderam as últimas três letras. Ficaram apenas Sport. Na Alemanha, o Rolls-Royce Silver Mist passou a chamar-se Silver Shadow, porque, em alemão, mist! é uma interjeição que significa “merda!”.

Quem não conhece o Mercedes-Benz Vito? Pois bem, Vito em sueco refere-se ao órgão genital feminino, tal como Fit, o nome original do Honda Jazz, que na Noruega também estava relacionado com o órgão genital feminino. Mudaram-lhe o nome, mas os mais atentos não deixam de lembrar que, na origem etimológica da palavra que denomina o género musical está uma expressão depreciativa que remete para o esperma.

No Brasil, o Ford Pinto também deu origem a piadas, uma vez que a efervescente linguística de Vera Cruz usa o nome do filho da galinha para designar o órgão sexual masculino. Passou a chamar-se Corcel. A Lancia lançou em 1969 o Marica, um nome que hoje em dia nunca seria ponderado por razões óbvias.

O Renault Mégane tem um significado muito especial no Japão (“megane” quer dizer “óculos”), o Volkswagen Jetta soa vagamente a azar em Itália, o Nissan Moco deixa os espanhóis a pensar na limpeza nasal, o Ford Fiera lembra a alguns habitantes de países que falam castelhano velhotas de aparência física pouco recomendável.

Pior (ou talvez não) foi o Mazda Laputa. Os revendedores chilenos queixaram-se da dificuldade em promover um carro com um nome tão sui generis, mas a Mazda não alterou uma vírgula.

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