Radares em cerca de 50 locais de maior sinistralidade
Cerca de cinquenta novos radares de controlo de velocidade destinados aos locais onde ocorrem mais acidentes
20/11/2011 em Geral
O presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária disse este domingo no Porto que no início de 2012 serão lançados concursos para a instalação de radares de controlo de velocidade nos locais onde ocorrem mais acidentes.
Paulo Marques, que falava na cerimónia comemorativa do Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada, referiu que foram identificados cerca de 50 locais em todo o país onde existe uma concentração muito elevada de acidentes e onde a velocidade é um factor preponderante para a ocorrência desses sinistros.
«Não existindo outras formas de resolver o problema através da engenharia rodoviária iremos colocar radares para que os condutores circulem a uma velocidade prevista para o local, de acordo com a sinalização colocada. Aquilo que pretendemos é que através do controlo da velocidade deixem de ocorrer aí tantos acidentes», sublinhou o responsável.
Paulo Marques salientou que nos primeiros dez meses deste ano «há uma ligeira redução de vítimas mortais, de feridos graves e ligeiros, relativamente ao ano passado, confirmando-se a tendência decrescente que se tem vindo a verificar nos últimos dez/doze anos».
«Contudo, é um número que não nos descansa e que nos impele a tomar as medidas necessárias para continuar a reduzir esta tragédia que são as mortes na estrada. O que estamos a prosseguir são as medidas previstas na Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária», acrescentou.
A Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária 2009/2015 inclui um conjunto de 92 medidas, uma das quais a colocação dos radares de controlo de velocidade nos locais de elevada sinistralidade.
«Vamos agora iniciar uma análise intercalar da estratégia para corrigir, ver o que já foi feito e ver o que teremos de fazer para, até 2015, que foi o prazo estabelecido nesse plano nacional, conseguirmos manter a tendência decrescente que temos vindo a registar», disse.
O presidente da Associação dos Cidadãos Auto-Mobilizados, Manuel João Ramos, atribui o decréscimo do número de vítimas mortais em acidentes de viação não ao avanço civilizacional do povo português, mas a três factores: «Melhor segurança passiva dos automóveis, resolução de pontos negros e a crise».
«Evidentemente, que quando as pessoas não têm dinheiro suficiente tendem a carregar menos no acelerador para consumir menos gasolina e menos dinheiro», considerou.
Sobre a introdução da rede nacional de radares, Manuel João Ramos considerou que pode ser uma medida muito positiva se for acompanhada de outras, em particular na área da justiça rodoviária.
«Se não há uma justiça séria do crime rodoviário, se as pessoas continuam a sair da sala de tribunal depois de matarem uma ou duas pessoas na estrada com 500 euros de multa e dois anos de pena suspensa, todas as outras medidas vão ser deficitárias», frisou o responsável.


