Citroën C4 Coupé / Kia Ceed S Coupé / Opel Astra GTC
Kia Ceed S Coupé enfrenta rivais.
14/01/2009 em Comparativos
Depois de, em 2007, a gama Ceed ter convencido a crítica e o público, sendo uma das revelações do ano, eis que nos desvenda agora a sua face mais rebelde, apresentando-nos a variante designada por S Coupé. Mais do que uma convencional versão de três portas, pronta para servir de acesso à gama, o novo Ceed assume-se como um coupé, e quer cativar um público jovem, que se deixa seduzir pela agressividade e indução desportiva. Mantém a distância entre eixos da berlina e é apenas 15 mm mais curto, sendo que a mala mantém a mesma capacidade (340 litros).
Sob o capot tem um trunfo, já que o motor Diesel «made in Coreia» que o anima, é poupado mas é também um dos mais enérgicos desta classe de cilindrada, oferecendo 115 cv. Nesta nova definição de três portas, e nas versões Diesel (existe uma outra de dois litros com 140 cv), o único nível disponível é justamente o mais apetrechado da gama, designado por TX. Confiando em todos estes atributos, o Kia confronta agora dois rivais que, apesar de «pequenos familiares», rejeitam ser convencionais «três portas» e assumem-se também como coupés.
O Citroën C4 surge no nível VTR Pack e conta com o comprovadíssimo 1.6 HDI de 110 cv, que partilha com tantos irmãos (Peugeot, Volvo, Ford e Mini, por exemplo). O Astra é o que leva mais a sério a questão da «cara mais dinâmica da gama» e é até o que impõe a maior «musculatura», não só exteriormente mas também «dentro» do motor, já que recentemente viu o seu «eterno» 1.7 CDTI (de longínqua origem Isuzu) ser reanimado com uma «injecção» de 25 cv, sendo por isso o mais potente dos três presentes, contando com 125 cv.
No primeiro item pontuado, o da Segurança, todos se podem orgulhar de já trazer de série, nestas versões, o controlo de estabilidade. Na «Garantia», o coreano consegue, de repente, um avanço de cinco pontos perante os rivais. É que, mediante os, até já escassos, dois anos «europeus», o Kia é o «rei» do comprometimento, oferecendo sete anos de garantia geral. Esta promessa quebra tudo o que fora visto antes, se bem que de uma forma complexa. Em primeiro lugar, está limitada a 150 000 km, sendo que só nos três primeiros anos não há limite de quilometragem.
Por outro lado, se nos primeiros cinco anos a garantia é total, nos últimos dois está restrita ao motor e à transmissão. Na bagageira, se, por um lado, não perdeu volume para a berlina, por outro, os 340 litros de que dispõe quedam-se pela mediania, estando ainda assim um patamar acima face ao adversário gaulês. No C4, o acesso não convenceu, estando o vão muito elevado, perdendo-se a funcionalidade para se ganhar em?estilo. Na habitabilidade, não há milagres e, de facto, atrás todos são mais contidos que os «irmãos» de cinco portas.
Se Astra e Kia chegam até a desiludir, o C4 revela-se amplo q.b. para que ninguém se sinta incomodado. Este é também o que tem um melhor acesso para o banco traseiro. O Astra decepciona por não prever espaços para arrumos suficientes, sendo difícil ter a carteira, o telemóvel ou a garrafita de água ali à mão.
Na lista de recheio, a sigla TX do Kia acrescenta, perante os rivais, o alarme; a prática tomada USB que permite inserir uma «pen drive» (ou ligar o leitor de MP3); e bancos parcialmente forrados em pele. Tal como o Astra, o ar condicionado tem controlo automático, funcionalidade que no C4 é uma opção que custa 560 euros (nesta versão VTR Pack) mas que para além de ser «bi-zona», inclui (em conjunto) sensores de luz e chuva, outra capacidade que no Kia já vem de série (no Astra custa 205 euros). A avaliar a qualidade, impõe dizer que o rigor germânico do Astra confere-lhe o estatuto de ser o melhor. No Kia os revestimentos macios também são exaustivos, e muito agradam, mas a solidez é inferior à do Opel. No Citroën, existem também bons materiais, sendo hoje este Citroën sólido e cuidadamente decorado. Ainda assim, é dos três o que revela mais plásticos rijos.
Pela cidade, o C4 é o mais ágil. Tem melhor disponibilidade do motor em baixo regime e é, de longe, o mais confortável, até porque os rivais são exageradamente firmes, desiludindo por isso. Em contrapartida, agrada pela maior facilidade com que todos os comandos se deixam dosear. No Astra e no Kia não existe a mesma fluidez pelo trânsito. Neste ambiente, o C4 é ainda o único que oferece uma boa visibilidade, especialmente na diagonal traseira.
Por traçados sinuosos o Astra é o mais «certinho». Não fascina, até porque toda a acção é um pouco artificial e o condutor não percebe ao detalhe a informação que lhe chega, mas a verdade é que, também, raramente este é chamado a intervir, havendo sempre grande aderência. O C4 tem uma direcção amplamente melhor e consegue uma acção dinâmica rigorosa e segura. Não se equipara ao Astra, porque o controlo de estabilidade, apesar de tão permissivo, vai sempre ligado, cortando a diversão em toadas de maior «provocação».
O Ceed também não desilude, até porque é previsível, mas é mais limitado do que os rivais e sofre de maiores perdas de tracção. De todos é o único que desobedece um pouco à trajectória, sem que o ritmo seja excessivo, saindo um pouco de frente, ouvindo-se já os pneus a chiar? No pulmão de atleta revelado, o Astra (que é o mais potente) volta a revelar-se o mais «rebelde», acelerando até aos 100 Km/h abaixo da casa dos 10 segundos e sendo o mais? desportivo.
Ainda assim, importa relembrar que é, dos três, o que tem o maior fosso inicial, quase parecendo um turbo-Diesel «à moda antiga». Primeiro não se passa nada e de repente lá vai ele? disparado. Seja como for, é muito rápido. O Kia, que também padece de um ligeiríssimo fosso inicial antes das 2000 rpm, tem maior alento a recuperar face ao C4. No apetite, o menos contido é Astra, capaz de rondar os oito litros pela cidade. Já o Kia é regrado e pede apenas seis litros.


