«Rápido e Furioso»: Ao volante do novo Chevrolet Camaro V8
Um dos mais desejados «muscle cars» chega a Portugal. Estivemos na Suíça para o primeiro contacto
15/10/2011 em Testes
Imagine só o que sentimos naqueles preciosos segundos antes de entrarmos no novo Chevrolet Camaro para o conduzirmos pela primeira vez. Nervosos? Claro, intimidados? Sem dúvida. Afinal de contas, é a reinterpretação de um dos míticos «muscle cars» americanos, verdadeira besta do asfalto, lenda viva da indústria automóvel norte-americana e um dos desportivos mais desejados do passado e… do presente. Está pela primeira vez disponível no mercado, proposto com uma imponente motorização V8 de 6,2 litros e um preço de 93.500 euros. Estivemos na Suíça, ao berço de Louis Chevrolet (o suíço que foi o pai da marca americana) para o primeiro contacto com a versão europeia do Camaro.
Visualmente, o Camaro destaca-se pela sua imponente presença e umas linhas muito musculadas, à imagem dos seus antepassados, mantendo as formas «algo» quadradas, atirando para o lado as mais arrojadas tendências estéticas da actualidade, em que dominam as linhas arredondadas. A linha de tejadilho baixa, as enormes rodas de vinte polegadas e uma traseira vincada completam um conjunto que se distingue de todo o parque automóvel em circulação...
Mas, o regresso ao passado não se fica exclusivamente pelo exterior. Também no habitáculo há muito dos Camaros de outros tempos, com todas as influências dos modelos dos anos 60 e 70, mas sem as complicações e a qualidade sofrível desses tempos, apesar da apresentação «algo» simplista e plásticos duros. Tudo compensado com detalhes deliciosos, em particular para os apaixonados pelos desportivos de outros tempos, como por exemplo as linhas do tablier, o painel de instrumentos ou mesmo os quatro manómetros (pressão e temperatura de óleo do motor, temperatura do óleo da caixa de velocidades e voltímetro) na consola central.
A reduzida superfície vidrada, a posição de condução perfeita e o imponente (e elevado) capot fazem esquecer outros pormenores menos conseguidos (alguns comandos já vistos em outros modelos da GM e um volante demasiado grande), especialmente a partir do momento que rodamos a chave e damos vida ao V8 de 6,2 litros, que acorda com um poderoso roncar, que faz estremecer tudo à volta quando se pisa o acelerador...
O V8 atmosférico de 6,2 litros com 432cv (405cv com caixa automática) anuncia números de fazer sonhar: 0 aos 100 km/h em 5,2 segundos (5,4s com caixa Auto.) e uma velocidade máxima limitada a 250 km/h. Menos interessante é o consumo médio anunciado de 14,1 litros aos cem (13,1 litros com caixa automática).
Nas exigentes estradas suíças tivemos oportunidade de experimentar tanto o Camaro com caixa automática (com patilhas no volante) como com caixa manual de seis velocidades. Na versão manual, este «muscle car» revela todo o seu carácter mais selvagem, respondendo com facilidade mesmo a baixas rotações e sempre com uma sonoridade cativante. A caixa manual, perfeitamente escalonada, apenas merecia um tacto mais suave, exigindo força de homens de barba rija… Já a versão com caixa automática transforma o Camaro num excelente estradista, capaz de devorar quilómetros e encostar-nos ao banco sempre que se pisa o acelerador com mais vigor. E depois há o ronco do V8… absolutamente fantástico!
Não atrevemos uma opinião definitiva sobre as capacidades extremas deste motor uma vez que na Suíça, os limites são para ser levados muito a sério, mas basta pressionar vigorosamente o pedal do acelerador por uns segundos para acreditarmos que os 432cv de potência anunciados e, principalmente o «torque» de 569 Nm são valores que não servem apenas para ilustrar a ficha técnica.
Ainda assim, foi suficiente para sentirmos que o Camaro acompanha as nossas exigências quando forçamos o ritmo, assim como o elevado conforto, apesar da afinação específica para os clientes europeus. A verdade é que o Camaro conta com um chassis com uma excelente robustez, mas a suspensão apresenta-se algo macia (perfeito para alguns… defeito para outros) e nas transferências de massa não evita um rolamento de carroçaria maior que o esperado. Por outro lado, oferece um interessante conforto em piso mais irregular…
Por outro lado, a direcção é precisa e consistente a qualquer velocidade favorecendo a condução desportiva, enquanto os travões aguentam bem o esforço imposto por solicitações impetuosas e a repartição de travagem garante a necessária estabilidade.
Entre o equipamento de sériem destaque para os comandos no volante, Bluetooth, assistência ao estacionamento apoiado por câmara e visores de informações – incluindo a Visualização Head-Up – que fornecem informações importantes ao condutor sem o distrair da estrada.
Em conclusão, o Camaro está vivo e bem vivo, nas formas mais selvagens de sempre, impetuosas, rápidas e perigosas de sempre. Falha em alguns pontos de racionalidade, mas será a razão critério fundamental num automóvel destes?
O Camaro Coupé chega a Portugal por um preço de 93.500 euros, sendo que o preço é idêntico para a versão de caixa manual ou automática, ao passo que o Camaro Cabrio está disponível por 98.500 euros.


