Ao volante do Toyota de ligar à tomada...
Com autonomia superior a 20 km e recarregável em pouco mais de hora e meia, o Prius Plug-in antecipa o futuro dos carros eléctricos
22/10/2010 em Testes
Em perfeito silêncio e sem um pingo de gasolina consumido assim se circula por mais de vinte quilómetros. Tudo graças à mais recente evolução da tecnologia híbrida da Toyota. O programa Hybrid Plug-in está a avançar a todo o vapor chegando agora às estradas nacionais os primeiros protótipos inseridos no programa de testes, que cumprem etapa fundamental no processo de desenvolvimento da nova geração do conceito híbrido da Toyota, capaz de ser recarregado em qualquer tomada convencional.
Ao longo dos quatro dias que tivemos oportunidade de experimentar o próximo passo no campo dos híbridos da Toyota pudemos comprovar que o futuro é muito mais simples do que aquilo que se poderia imaginar acerca de algo tão estranho quanto um veículo eléctrico, mas também das suas capacidades reais, a sua economia e acima de tudo da sua facilidade de utilização…. Provando que o futuro está cada vez mais perto, e que os carros eléctricos há muito que poderiam fazer parte do cenário da estrada tal a fase de desenvolvimento em que já se encontram.
O (ainda) experimental Prius Plug-in, que tivemos oportunidade de experimentar em primeira mão – integrando restrito programa de testes que a marca promove nos próximos dois anos, com 500 unidades no Mundo, e apenas cinco em Portugal... -, é muito mais que a simples evolução do conceito híbrido ex-lybris do Prius e da Toyota… o Prius plug-in é, praticamente, um automóvel eléctrico, que passa a funcionar com propulsão mista apenas depois de esgotada a energia armazenada nas suas baterias. Isto significa que o sistema híbrido acaba por funcionar como um extensor de autonomia, no caso de uma deslocação que exceda os 20 km.
Em lugar das vulgares baterias de níquel de metal hídrico utilizadas no Prius normal, este Plug-in usa mais modernas baterias de iões de lítio que permitiram aumentar a autonomia em modo exclusivamente eléctrico dos 2 km possíveis no Prius normal para mais de 20 km. A juntar a isto a possibilidade de se proceder à recarga das baterias a partir de qualquer tomada doméstica de 220V, até ao máximo de 1h40m.
Tanto por fora como por dentro não apresenta novidades, excepção feita à porta de acesso à ficha, atrás da roda dianteira e o monitor do computador com imensas novas funcionalidades.
Ao volante, a experiencia de condução é diferente de tudo a que estamos habituados – primeiro estranha-se, depois entranha-se! Carrega-se no botão Power como em qualquer Prius de última geração e o silêncio a bordo mantém-se como se nada se passasse e só a iluminação do painel de bordo denuncia a entrada em funcionamento do motor... que desperta sem qualquer ruído.
Assim permanece enquanto está ligado, com o carro a rolar, e independentemente do ritmo ouvimos apenas os ruídos aerodinâmicos e de rolamento, além da poluição sonora dos restantes carros que povoam a via - como seria bom que todos os carros fossem silenciosos como este Prius.
A suavidade e o silêncio é a nota dominante, criando a sensação de que estamos a bordo de um verdadeiro tapete voador, sendo preciso abrir os vidros para termos uma noção real de velocidade enquanto este Prius continua a devorar quilómetros chegando muito facilmente a velocidades na ordem dos 90/100 km/h – acima dos 100 km/h o motor a gasolina passa a ajudar a ganhar mais velocidade -, sempre movido unicamente com energia eléctrica. Mesmo numa aceleração mais forte, quando o Prius normal chamaria ao serviço o motor de combustão, este «Plug-in» marca toda a diferença ao manter-se... eléctrico.
No painel de instrumentos é possível seguir atentamente todo o desenrolar do funcionamento de todo o sistema, que nos informa através de uma enorme variedade de gráficos, permitindo-nos estudar todas as fórmulas para aumentar ainda mais a autonomia… A marca anuncia os tais 20 km de silenciosa e inócua condução eléctrica, que têm obviamente de ser geridos, podendo superar-se até essa marca, ou reduzir-se conforme as exigências do percurso. Certo é que nas várias provas - e que não foram poucas -, a que o submetemos nunca fizemos menos de 19 km, mas por mais que uma vez superamos os 21 km, sendo que o melhor foi 21,2 km a uma média de velocidade de 31 km/h, superior às melhores médias conseguidas no dia-a-dia.
Em muitos casos será mais que suficiente para cumprir o rotineiro percurso entre casa-trabalho/trabalho-casa, casa-compras/compras-casa ou até mesmo para os habituais passeios de domingo à tarde, por exemplo.
Depois basta apenas ligar o Prius à tomada como qualquer electrodoméstico – exige tomada eléctrica na garagem -, para recarregar as baterias para mais um dia de trabalho.
Tendo em conta os 5,2 kW de capacidade dos três módulos de baterias, corresponde a um gasto (máximo) de 1,75 euros/100 km ou 3 euros/100 km, consoante a carga seja feita em regime bi-horário a 7 cêntimos/Kw ou em regime normal a 12 cêntimos/kW.
Em estrada, o desempenho não fica prejudicado apesar do maior peso das baterias de iões de lítio – mais 100 kg -, com o tradicional sistema híbrido a tomar conta das operações em velocidades acima dos 100km/h ou até mesmo antes, dependendo das exigências do percurso.
E quando a carga se esgota?
Fim da carga nas baterias, o Prius Plug-in continua a ser um híbrido convencional funcionando com o conjunto gasolina/eléctrico, conseguindo-se consumos entre os 4 e os 6 litros, média que poderá descer aos 1,5 ou 2 litros se ainda tivermos energia nas baterias. Mesmo numa condução mais apressada, e desde que as baterias possuam energia, é possível fazer-se consumos que só um diesel consegue sonhar.
Em jeito de conclusão e depois de alguns dias partilhados com o Prius Plug-In podemos dizer que toda a tecnologia apresentada parece extraordinariamente madura, desenvolvida e... pronta a desfrutar! Venham eles...


