GLK 320 CDI 4Matic Edition1 posto à prova
As linhas quadradas podem não reunir consenso, mas o conteúdo do «jipe» compacto da Mercedes convence em estrada, particularmente, quando equipado com o possante V6 diesel e a fantástica caixa de velocidades automática 7G-Tonic
01/10/2009 em Testes
A Mercedes juntou as letras «G» de campo, «L» de luxo e «K» de compacto para idealizar o modelo, com o qual pretende destronar o X3 da liderança do segmento dos SUV’s compactos. Parece difícil, mas o GLK recorre a argumentos muito próprios que o distinguem da concorrência, a começar pela estética que nos remete para o verdadeiro «jipe» da marca Alemã.
Aproveitando grande parte das soluções disponibilizadas pelo Classe C, incluindo a plataforma, a marca Alemã desenvolveu um modelo que, embora não consiga disfarçar uma clara inspiração no histórico «Classe G», se distingue pelas suas dimensões compactas. As linhas quadradas são mesmo um dos seus pontos de atracção… ou rejeição, dependendo do gosto de cada um. Longe de conseguir reunir o consenso, as suas formas angulosas conseguem dar-lhe uma distinção e mesmo apelo, comparativamente às actuais tendências do mercado, ao ostentar um ar de «puro e duro», escapando à tendência do arredondamento nos dias de hoje.
As formas angulosas do exterior prolongam-se no interior, com um «arranjo» muito semelhante ao apresentado na actual geração Classe C. Como já é tradicional na marca da estrela, os níveis de qualidade e robustez mantém-se num patamar elevado, o mesmo acontece com a ergonomia, com todos os comandos muito bem colocados. A posição de condução é perfeita e, fruto das formas quadradas da carroçaria, a sensação é a de estarmos aos comandos de um veículo maior do que na realidade é. A verdade é que o vidro dianteiro praticamente vertical e o pilar A muito distante do condutor cria essa sensação que beneficia também o espaço interior, mais amplo que inicialmente fazia prever, tendo em conta de que se trata de um SUV compacto. A bagageira, com os seus 450 litros de capacidade, fica um pouco aquém da concorrência, mas pode «crescer» até aos 1550 litros com o rebatimento do banco traseiro.
A posição dos ocupantes é também muito próxima da que se encontra a bordo de um automóvel convencional, ou seja, longe da posição elevada e vertical a que os tradicionais todo-o-terreno nos habituaram. A sua filosofia «estradista» surge reforçada com a portentosa motorização diesel V6 de 3 litros com 224 cavalos de potência, da versão 320 CDi 4Matic. Com este motor, o GLK mais parece um «lobo em pele de cordeiro», capaz de desafiar tudo e todos, pois revela uma elevada agilidade em estrada e performances ao nível de alguns desportivos. Mais importante que os 224 cavalos de potência são os 540 Nm de binário máximo, muito bem aproveitados pela transmissão automática de sete velocidades 7G-Tronic, que levam a que a pressão no acelerador tenha uma resposta praticamente imediata. A transmissão de 7 velocidades pode ser controlada através das patilhas colocadas atrás do volante, tornando a condução muito mais entusiasmante, além do comando manual sequencial, no tradicional selector da caixa de velocidades. Os nove litros de consumo médio verificados ao longo do ensaio nem parecem elevados tendo em conta as capacidades deste V6 de 3 litros.
Naturalmente que este motor, conciliado com o sistemas de tracção integral «4Matic» e de suspensão «Agility Control» do Classe C, permite ao GLK defender um comportamento imperturbável em estrada. A suspensão, dotada do sistema «Agility Control» que varia automaticamente os padrões de amortecimento da suspensão e da assistência da direcção, de acordo com o estilo de condução e/ou o tipo de trajecto, asseguram níveis de aderência à prova das mais fortes pisadelas no acelerador e os pisos mais escorregadios. A ligação ao solo é ainda feito por um sofisticado sistema de tracção integral 4Matic, com três diferenciais… o diferencial central tem bloqueio automático e o controlo de tracção gere as perdas de tracção entre as rodas do mesmo eixo, repartindo 45 por cento de potencia para as rodas dianteiras e 55 por cento para as traseiras em condições normais.
O resultado é um comportamento dinâmico de alto nível, em tudo semelhante ao de uma tradicional berlina, beneficiado com as capacidades da transmissão integral, tanto em curva, com uma menor perda de aderência como nos pisos mais escorregadios, nomeadamente nas estradas alagadas com que nos deparamos durante o teste ao GLK. Os movimentos da carroçaria bem controlados e o elevado conforto são as notas de destaque ao volante deste modelo.
Quando pensamos do que será capaz no fora de estrada, a reduzida altura ao solo, ao que não serão alheias as jantes de 19 polegadas, revestidas por borracha mais vocacionada para o alcatrão, fazem esquecer as mais aventureiras incursões offroad, preferindo antes caminhos suaves, sem grandes exigências. Ainda assim, a tecnologia permite-lhe superar alguns obstáculos que, à partida, pareciam fora das perspectivas mais optimistas.
Chegados à parte mais difícil, a versão «Edition 1», que marca o lançamento do novo modelo, conta com nada mais, nada menos que 10 mil euros de extras que acabam por elevar o preço para mais de 85 mil euros. A versão de acesso é proposta por pouco mais de 74 mil euros, ainda assim um preço elevado para um «jipe» compacto. O mais acessível GLK 220 CDi de 170 cavalos de potência, já está disponível, ainda assim por uns 56.381 euros.


