C3 Picasso: Arte familiar concentrada
O mais pequeno dos Picasso mistura conceitos e influencias urbanas, destacando-se por uma estética arrojada e, especialmente, pelo espaço e versatilidade
23/12/2009 em Testes
Ao quadro técnico da Citroen bastou juntar 2+2 para perceber que a receita da máxima funcionalidade e estética arrojada, conhecida do bem sucedido C4 Picasso, resultaria de forma oportuna quando aplicada ao seu modelos utilitário.
Compacto e com visual que combina formas ovais e quadradas, antecipando as linhas da nova geração C3, o C3 Picasso é um original minimonovolume concebido para cumprir com as maiores exigências familiares, sem que isso represente, contudo, qualquer obstáculo à vincada vocação urbana que apresenta... com vaidade! Sobre a conhecida plataforma do Peugeot 207 (com os mesmos 2,54 metros entre eixos), assenta carroçaria de dimensões comedidas cujo comprimento pouco passa os 4 mtros... Não é difícil de perceber que se trata, então, de concentrado em que a marca francesa bem usou de arte e engenho para trocar ás voltas à lógica. Pequeno por fora, grande por dentro? Ora nem mais!
Pode não ser visto como perfeita obra de arte, mas curiosamente respeita a regência cubista em diversos pontos. Demonstra a cristalização geométrica mediante a presença de capot bem definido que depois abre para o habitáculo totalmente cúbico, à semelhança de receita que os construtores japoneses há muito descobriram como a melhor forma de aproveitar o espaço interior.
A entrada no habitáculo não surpreende pela posição elevada dos bancos, como habitualmente encontramos nos monovolumes, mas sobressaem de imediato três pontos fortes deste posto de condução: a extremamente ampla regulação em altura do assento, a colocação elevada so selector de velocidades (integrado no próprio tablier) e por fim a desafogada visibilidade, graças ao avantajado pára-brisas tripartido, que permite puxar o finíssimo pilar A um nadinha para trás e, assim, ampliar sobremaneira o ângulo de visão de quem segue aos comandos do C3 Picasso.
A versatilidade do interior, com espaço para cinco «verdadeiros» adultos, está assegurada pela hipótese de deslizar o banco traseiro, por inteiro ou em duas metades desiguais, ao longo de 15cm, previlegiando o espaço para as pernas de quem ocupa os lugares traseiros ou levar mais carga. O que também não falta no habitáculo são espaços de arrumação e as sempre úteis mesinhas tipo avião nas costas dos bancos dianteiros que incluem práticas luzes de leitura, além do espelho esférico interior, colocado acima do retrovisor, para ver o que estão as crianças a fazer no banco traseiro. E por falar em arrumação, a bagageira na configuração normal, é digna de referência (500 litros), mas caso se opte pelo rebatimento dos assentos traseiros, aumenta 1506 litros, algo notável para a dimensão deste C3.
Ainda no interior, o C3 Exclusive veste muito veludo e também alguns materiais macios. É, porém, a enorme sensação de robustez que mais nos seduz, sendo quase uma antítese da saúde que até agora reconhecíamos associada ao “código” C3.
Equipado com o conhecido motor HDI de 1.6 litros na variante de 90 cavalos acoplado a uma caixa de cinco velocidades, o C3 Picasso é um primado de suavidade, aproveitando alguma vivacidade emprestada por um binário interessante debitado a baixa rotação. Não dá para exageros, mas o C3 Picasso chega facilmente aos 170 km/h e cumpre os 0-100 km/h em bem menos de 15 segundos. Mais importante que as performances é o consumo médio obtido ao longo do ensaio, com o computador de bordo a indicar uma média de 5,8 litros aos cem, ainda assim longe dos 4,8 l/100 km anunciados pela marca francesa.
Em estrada, o chassis do Citroën C3 Picasso revela-se equilibrado e apesar da elevada altura do modelo, a verdade é que em curva há um bom controlo do rolamento e com o passar dos quilómetros adquirimos confiança para andar cada vez mais depressa. O conforto é aquilo a que estamos habituados na marca, ou seja elevado, independentemente do piso.
O nível de equipamento Exclusive é o mais elevado da gama, incluindo de série vários itens interessantes, dos quais destacamos ar condicionado automático e independente; cruise-control; trancamento automático das portas; e sensores de luz e chuva e de ajuda ao estacionamento traseiro. Talvez por isso não seja de estranhar os 22 mil euros na tabela da Citroen. Para os que procurem uma opção mais acessível, a versão base do C3 Picasso 1.6 HDi custa 19.700 euros e para os que pretendem maior fôlego, a variante mais potente do motor 1.6 HDi, de 110cv, é proposta em Portugal por 24.535 euros.

