É «jipe» ou pequeno monovolume?
É um jipe? Um pequeno monovolume? O Kia Soul concilia os conceitos da moda para todos aqueles que procuram um modelo irreverente e, em particular, os adeptos dos «jipes» de cidade...
06/12/2009 em Testes
Os olhares na rua não deixam dúvidas, o Kia Soul é um carro que não deixa ninguém indiferente. E o primeiro impacto com o Soul é no mínimo desafiador. As formas quadradas e a elevada altura ao solo remete-nos para as novas modas de crossovers urbanos, mas também nos traz à memória os recentes conceitos de monovolumes compactos, mais por culpa do seu posicionamento. O Soul acaba por ser, nem uma coisa, nem outra, mas sim ambas...
A personalidade é a de um aventureiro crossover para a cidade com um interior muito amplo, muito próximo do que é oferecido pelos monovolumes compactos. Certo é que o Soul é susceptível de vários tipos de análise e muitas reacções interrogativas, como se verificou durante os dias que decorreu o teste ao modelo mais irreverente da marca sul-coreana.
Com pouco mais de quatro metros de comprimento e formas quadradas, o Soul é na realidade mais pequeno do que aparenta. A imagem cool e cosmopolita é formada por linhas dinâmicas num misto de traços que lhe dão um ar cúbico, sugerindo a famosa expressão «caixa com rodas», mas ao mesmo tempo, não deixa de ser simpático e muito apelativo. O que à primeira vista poderia não reunir consenso acaba por conquistar, no espaço de poucos minutos, elogios e até despertar paixões.
Abrindo as suas portas, o Soul foge um pouco à irreverência exterior e transporta-nos para um ambiente mais sóbrio e versátil, que nos remete mais propriamente para um pequeno monovolume, sem deixar de lado um certo carácter irreverente, evidenciado em pequenos detalhes como o interior do porta-luvas em vermelho. A respeitável distância entre-eixos e o correcto aproveitamento do espaço interior, que beneficia das formas cúbicas da carroçaria, criam uma grande sensação de liberdade (leia-se espaço), realçado com a tonalidade dos revestimentos, que nos remete para um conceito monovolume, tal o aproveitamento de espaço.
As portas traseiras com bom ângulo de abertura facilitam o acesso atrás, onde o banco colocado em posição elevada permite a quem aí se senta gozar da paisagem. A vertente familiar deste modelo é reflectida no amplo espaço traseiro, sobrando espaço para cruzar as pernas e acomodar três passageiros. No sentido inverso, a bagageira cede às imposições estilísticas oferecendo apenas 220 litros de capacidade. No entanto, à frente contamos com vários espaços de arrumação, incluindo um compartimento com fundo vermelho, tonalidade que se estende ao porta-luvas, na consola central. Por falar em consola central, o desenho do tablier é agradável mas os materiais duros podem não convencer os mais exigentes neste domínio. Em contrapartida, a montagem é isenta de falhas, o que pode garantir dezenas de milhar de quilómetros sem ruídos parasitas.
Motor 1.6 diesel, o mais potente da classe
Passando à «acção», encontramos no Soul a mais recente evolução do bloco 1.6 CRDi, agora com 128 cavalos de potência, o mais potente na sua classe, e 260 Nm de binário máximo. Os baixos e médios regimes são o ponto forte deste motor, que não se mostra muito ruidoso. Ao contrário do que é corrente nas motorizações mais recentes, este motor destaca-se pela sensibilidade ao acelerador abaixo das 1800 rpm, favorecendo a condução no pára-arranca citadino. A juntar a isso, os comandos são todos muito suaves, tanto da direcção ao comando da caixa de velocidades, passando pelos pedais.
A utilização mais agradável faz-se entre as 1500 e as 3000 rpm, sendo que, se as trocas de caixa forem efectuadas por volta das 2000 rpm, consegue-se uma condução económica. A ausência de computador de bordo, pouco comum nos dias de hoje, obrigou-nos ao recurso à máquina calculadora para verificarmos os consumos no final do ensaio efectuado. Valores em torno dos 6,5 litros de média são muito apelativos, ainda que pudessem ser inferiores se em auto-estrada pudéssemos engrenar uma sexta velocidade para reduzir o regime e com isso reduzir os consumos. No entanto, em estrada, a uma velocidade estabilidade de 90 km/h ficamos mais próximos dos valores anunciados de 5,5 litros aos cem.
Muito fácil de conduzir, o Soul conta com suspensões firmes na forma de lidar com a estrada mas que também filtram de forma eficiente as irregularidades do asfalto. As rodas, de grandes dimensões, colocadas nos extremos da carroçaria, juntamente com um correcto acerto ao nível das suspensões, o Soul não desilude no domínio do comportamento dinâmico, mantendo igualmente um conforto de rolamento elevado. A direcção tem um bom peso, mesmo com um tacto «algo» eléctrico, mas é suficientemente directa. Na hora de estacionar, a fraca visibilidade traseira é compensada com um original e bem pensado sistema de câmara traseira de ajuda à marcha-atrás, com a particularidade de projectar a imagem no próprio retrovisor interior, dividido em dois. Desta forma, o condutor vê o que o espelho reflecte e o que a carroçaria esconde atrás de si.
Por 21.900 euros, a versão TX, a mais equipada da gama Soul, propõe de série seis airbags, controlo de estabilidade, jantes de liga leve de 18 polegadas, câmara traseira de estacionamento, ar condicionado, faróis de nevoeiro, alarme, apenas se sentindo a ausência do computador de bordo. O Soul tem uma versão mais acessível, proposta por uns concorrenciais 19.990 euros, prescindindo de alguns ítems do equipamento. Mais para o final do ano, mais concretamente Outubro, a motorização 1.4 a gasolina, vai colocar a fasquia mais «alta», com um preço de «arromba», esperando-se que seja proposta por 14.990 euros.

