Ensaio ao Lexus CT 200h: Premium mais verde

CT 200h promete consumos e emissões reduzidas para desafiar hegemonia dos germânicos Série 1 e A3
19/07/2011 em Testes

votar:
0
Obrigado!
Já votou!

Para se ser «Premium» no segmento dos familiares compactos são precisos alguns «predicados»: qualidade, desenho distinto, tecnologia e uma certa ideia de «desportividade». A primeira incursão da Lexus no segmento acrescenta a tudo isto uma motorização híbrida, capaz de consumos e emissões reduzidas, além de um especial toque nipónico. O CT 200h marca a entrada da Lexus no disputadíssimo segmento dos familiares compactos, aproveitando toda a tecnologia da última geração do Toyota Prius, refinada para um modelo que pretende desafiar a hegemonia dos germânicos BMW Série 1 e Audi A3.

Por fora, o novo modelo da Lexus está longe de agradar a gregos e a troianos, apostando em formas compactas que transmitem uma grande sensação de robustez. Ainda assim existem pormenores interessantes, exemplo do pequeno vidro traseiro e o robusto pilar, que dão forma a uma secção que o aproxima de uma carrinha compacta, na linha do Audi A3 Sportback…

No entanto, o grande destaque do CT 200h é o sistema híbrido, o mesmo utilizado no Prius e Auris HSD, ou seja, um bloco de quatro cilindros a gasolina com 1.8 litros e ciclo Atkinson com uma potência combinada de 136cv. Auxiliado por um motor eléctrico com 82cv e 207 Nm de binário máximo e alimentado por baterias de níquel metal hídrico com 27 kW, promete um consumo médio de apenas 4,1 litros aos cem e apenas 87 g/km de CO2.

Com uma habitabilidade que não é muito desafogada, o interior do CT 200h corresponde às expectativas dos clientes deste segmento mais «Premium» e, por isso, não fica atrás dos seus mais directos adversários. Principalmente pela noção de elevada qualidade, que resulta dos materiais utilizados e uma montagem quase perfeita. Mas o que mais salta à vista no interior é o volante, que tem uma pega perfeita, o desenho de todo o tablier, mais agradável ao vivo que em fotografia, e o curioso comando da caixa tipo pega de chapéu-de-chuva.

No painel principal não falta todo o tipo de informações, inclusive sobre o funcionamento do sistema híbrido em tempo real, como acontece no Prius ou noutros Lexus com este tipo de propulsão. Na consola encontra-se também um selector circular que permite escolher entre os modos «Eco», «Normal» e «Sport», com este último a mudar a cor do painel de azul para vermelho, reflectindo a mudança de filosofia da condução, além de substituir o indicador da eficiência da condução por um mais tradicional conta-rotações.

Nesta opção, a resposta do acelerador fica mais rápida, os dois motores entram em modo de performance máxima, a direcção altera o «feeling» para uma atitude mais desportiva e o controlo de estabilidade fica mais permissivo. No caso do modo «Eco», o acelerador demora mais a reagir e o funcionamento do ar condicionado é optimizado para controlar o gasto de energia. Este modo permite uma condução cem por cento eléctrica, ou seja, zero emissões e «zero ruído», apenas possível até aos 45 km/h e por uma distância de 2 km.

A ausência de ignição por chave facilita o arranque, sempre muito suave por o CT 200h arrancar sempre no modo eléctrico, o que pode causar alguns problemas em locais como parques de estacionamento de centros comerciais, por exemplo. Este modelo utiliza a mesma tecnologia do Toyota Auris Hibrido e do Prius, associando motor eléctrico de 82cv a propulsor 1.8 a gasolina de 99cv. As duas unidades geram uma potência combinada de 136cv, sendo que a unidade eléctrica trabalha em parceria com o motor a gasolina para potenciar a aceleração.

Ecológico acelerado

O motor eléctrico é alimentado por uma bateria de hidretos metálicos de níquel e funciona como gerador que a recarrega através da regeneração da energia das travagens. A transmissão processa-se através de uma caixa de velocidades automática de variação continua (electrónica) que corresponde às solicitações do condutor.

Em situações normais, todo o conjunto funciona de forma suave, com o motor eléctrico a dar uma preciosa ajuda ao motor a gasolina sempre que o acelerador é solicitado com maior pressão. Embora a insonorização seja perfeita, não consegue esconder o ruído do motor sempre que se exige mais do motor a gasolina, especialmente, nas subidas mais acentuadas.

O conjunto assegura acelerações satisfatórias e níveis de elasticidade que favorecem a condução em qualquer tipo de estrada, existindo sempre a sensação de ter potência debaixo do pé direito. Não gostamos apenas do atraso da mecânica térmica na entrada em acção, o que explica as performances medianas - 10,3 segundos dos 0 aos 100 km/h e 180 km/h de velocidade máxima -, números que mesmo assim não desiludem para um modelo em que a aposta está centrada na economia de combustível.

Em relação a consumos, conseguimos alcançar médias em torno dos 5 litros aos cem numa condução calma (a Lexus anuncia 4,1 l/100 km), subindo para valores em torno dos 6 litros em cidade.

Surpresa em estrada

Assente em plataforma produzida a partir da base do Auris, com elaborada suspensão posterior independente com braços duplos, o CT 200h surpreende em estrada, em particular, quando as curvas se assumem como um «desafio», surpreendendo com um comportamento dinâmico muito equilibrado, mesmo quando se abandona por completo o ritmo familiar, mantendo sempre o conforto num patamar bastante elevado.

A verdade é que, em estrada, a primeira sensação com que se fica é que este Lexus tem chassis para “dar e vender”, ou seja, tem competência para suportar muito mais do que o conjunto híbrido tem para oferecer. O eixo dianteiro mostra-se muito preciso na inscrição de qualquer trajectória, mais ou menos exigente, com bom ou mau piso, enquanto a traseira mantém uma grande dose de agilidade para quem gosta de andar depressa...

Uma boa opção…

Se até agora poucos são os híbridos que valem a pena quando confrontados com os diesel mais evoluídos, quer do ponto de vista económico, quer ambiental, o CT 200h assume-se como uma nova página nesta matéria, sobretudo quando se olha para o preço base proposto, mas também nos consumos oficiais e reais, assim como emissões, custos de manutenção e garantias. De facto, ao não dispor de motor de arranque, de alternador, embraiagem, correias, assim como o menor desgaste dos elementos de travagem, a manutenção é mais reduzida. Assim, o grande obstáculo é a moda… diesel, instalada em Portugal.

Em termos de equipamento, o CT 200h conta, de série, com ar condicionado automático bizona, jantes de liga leve, computador de bordo, airbags laterais e de cortina, entre outros. Em opção, estão disponíveis Pack Dinâmico (1000 euros), Pack Navegação (2500 euros), Pack Executivo (11.500 euros), que engloba todos os packs anteriores. Os preços arrancam nos 31.350 euros para a versão base, sendo que o CT 200h Executive é proposto por 43.750 euros.

comentários    |    comentar    |    partilhar    |    imprimir    |    enviar    |    reportar erro
ENVIAR POR EMAIL O ARTIGO
O seu Nome: *
O seu Email: *
Nome do Amigo: *
Email do Amigo: *
Mensagem:
   * Campo Obrigatório
REPORTAR ERRO
Nome: *
Telefone:
Email: *
Tipo de erro: *
Informações adicionais:
   * Campo Obrigatório
+ MAIS
+ FACILIDADE DE CONDUÇÃO
+ TECNOLOGIA
+ COMPORTAMENTO
- MENOS
- TRAVÃO DE ESTACIONAMENTO DE PÉ
- CONFORTO EM MAU PISO
- ESPAÇO