Ensaio ao Mercedes C63 AMG: Verdadeiro «fora da lei»

Emoções fortes ao volante do Mercedes C63 AMG, uma berlina de quatro portas com espírito de super-carro
19/07/2011 em Testes

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Já lá vai o tempo em que, sempre que um condutor queria usufruir das acelerações estonteantes que só meio milhar de cavalos conseguem induzir, tinha de investir quase 300 mil euros num Porsche ou num Ferrari. Nos dias que correm e por apenas metade deste valor, é possível ter um motor similar, um chassis igualmente eficaz e, ainda assim, continuar a usufruir de espaço a rodos e de um nível de conforto elevado. É este o grande trunfo de modelos como o Mercedes C63 AMG, um quatro portas com espírito de super-carro...

É certo que nos tempos que correm, falar de automóveis desportivos pode parecer uma heresia, mas a verdade é que ninguém consegue viver sem injecções de adrenalina e a inveja que se desperta quando se está ao volante de um automóvel como o que a Soc. Com. C. Santos, concessionário Mercedes, nos confiou.

Agressividade discreta

Por fora, o mais «explosivo» dos Classe C distingue-se pelos generosos alargamentos das cavas das rodas ligados, as enormes entradas de ar frontais, as imponentes jantes de 19 polegadas ou o mais discreto aileron nas extremidades da tampa da bagageira – a unidade ensaiada não contava com as alterações efectuadas no recente «restlying» efectuado na gama Classe C.

Perante este conjunto agressivo (discreto, mas cativante), encontramos também um interior sem grandes exuberâncias, mas que não abdica de pequenos «toques» que nos lembram que este é um modelo muito especial. Falamos dos fantásticos bancos desportivos, os pedais em alumínio, volante com formas exclusivas e parcialmente revestido a camurça, sem esquecer o painel de instrumentos exclusivo, onde ganha especial destaque a indicação AMG e 6.2 V8.

Uma palavra ainda para aspectos mais racionais, com destaque para a elevada qualidade de construção, assim como o espaço interior, especialmente no lugar mais desejado: o do condutor. O volante tem uma pega perfeita, o banco oferece um encaixe lateral excelente e todos os comandos estão ergonomicamente distribuídos.

Passada a fase da contemplação estética e de análise do habitáculo, partimos, sem demoras, para a avaliação dinâmica desta super-berlina. A ansiedade aumenta e o nervoso miudinho instala-se…

Mal rodamos a chave de ignição, o V8 de 6,3 litros desperta feroz, impondo respeito pela forma como toma conta da atmosfera em seu redor, em toada bramida pelas quatro saídas de escape. Apenas uma expressão controlada que antecipa o poder dos 457 cv e dos brutais 600 Nm de binário máximo. Ainda não temos qualquer mudança engrenada e já estamos praticamente rendidos. A confirmação vem depois: primeira engrenada e acelerador a fundo. Ou melhor, quase a fundo. É que seria pouco sensato abusar do pedal da direita sem “sentir o pulso” a este predador, que consegue cumprir os tradicionais 0 aos 100 km/h em escassos 4,5 segundos… A velocidade máxima continua limitada electronicamente aos 250 km/h, apesar do velocímetro «marcar» mais de 320 km/h.

Acoplada ao imponente V8 encontra-se uma caixa automática de sete velocidades, denominada AMG Speedshift Plus 7G-Tronic. Dotada de patilhas cinzentas situadas atrás do volante (sendo a da esquerda “Down” e a da direita “Up”), esta caixa dispõe de três programas de gestão seleccionáveis pelo condutor - Sport, Comfort e Manual -, sendo o mais rápido o manual sequencial.

As trocas entre velocidades convencem pela rapidez nas desmultiplicações, mas acabam por ser as reduções (com perfeita interpretação do ponta-tacão) que mais impressionam. Quer pela eficácia, quer pelo modo como elevam o «cantar» do V8 e nos arrepiam a pele… As acelerações explosivas cortam a respiração e as costas ficam literalmente coladas ao banco...

Progressivo e eficaz

Numa condução mais dinâmica, o C63 AMG é simplesmente impressionante. A frente entra muito bem em todos os tipos de trajectória, em parte porque a Mercedes utiliza habitualmente muito «caster» na frente, o que lhe permite ganhar «camber» dinâmico, ou seja, as rodas da frente aumentam o «camber» à medida que se vira, optimizando a eficácia do trem dianteiro.

O peso bem distribuído pelos dois eixos e uma distância entre eixos muito generosa torna o AMG muito progressivo e eficaz. A frente entra bem mas a traseira 'sai' ainda melhor, bastando para tal que o condutor pressione ligeiramente o acelerador. E já que estamos em maré de eficácia, também é bom salientar que este «super-carro» está equipado com uns travões bastantes eficientes, capazes de impor respeito…

Obviamente que conduzir com o controlo de estabilidade desligado exige atenção redobrada e, sobretudo, bom senso. Muito bom senso. Ainda assim, este «quatro portas» não é nada difícil de domesticar. A aderência e a estabilidade são enormes.

A potência, essa, também é muita. Nos arranques, somos literalmente atirados contra o banco, enquanto lá fora não há quem fique indiferente ao som dos oito cilindros a fundo. A facilidade com que se atingem velocidades proibitivas é semelhante àquela com que o indicador de combustível desce. Em condução «rápida», é difícil baixar dos 20 litros. Em condução calma, algo só possível com grande sacrifício, as médias descem para números entre os 12 e os 13 litros aos cem.

Pior que isso, só mesmo o preço. A culpa é, claro está, do Estado português. É que metade do preço deste automóvel… são impostos! O preço-base fica-se abaixo dos 60 mil euros. Depois, com os malfadados ISV e IVA, o preço ultrapassa os 123 mil euros.

Uma nota de agradecimento à Soc. Com. C. Santos, concessionário da Mercedes, pela oportunidade concedida na realização deste ensaio.

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