206+: A segunda vida do Peugeot 206

A Peugeot optou por fazer renascer um modelo de sucesso para entrar no segmento dos compactos de baixo custo
08/03/2010 em Testes

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O Peugeot 206+ é um dos melhores exemplos dos tempos de crise em que vivemos. Trata-se de um novo modelo que não traz nada de novo, mas que faz todo o sentido para quem procura um carro pelo menor preço. Este novo Peugeot recupera toda a base mecânica do desaparecido 206, incluindo o motor a gasolina de acesso á gama (1.1 de 60 cavalos), distinguindo-se apenas pela sua nova roupagem, inspirada no mais recente 207. Para muitos, a opção da Peugeot não é mais que reciclar um dos seus modelos de maior sucesso.

Por fora, o 206+ combina elementos novos com outros já vistos. De frente, é fácil confundi-lo com um 207, pois os grupos ópticos, a grelha e o pára-choques são idênticos. Já a secção traseira não esconde as suas origens, pois, apesar dos farolins e pára-choques redesenhados, as formas essenciais do 206 foram preservadas na totalidade.

Tal como o exterior, também o interior apresenta-se como uma verdadeira miscelânea de detalhes inspirados nos novos modelos da marca francesa com os traços e, sobretudo, a organização já conhecida do modelo «original». Com excepção do painel de instrumentos com fundo branco e de parte da consola central «à 207», tudo o resto é oriundo do irmão 11 anos mais velho! Por isso, é fácil darmos conta de soluções algo arcaicas. Exemplo disso são os comandos dos vidros eléctricos dianteiros posicionados entre os bancos, o volante que só regula em altura e o rádio leitor de CD que não consegue ler ficheiros mp3. O ambiente espartano do 206+ é ainda acentuado pelos plásticos duros de aspecto antiquado que compõem a consola central.

A habitabilidade, longe de ser referencial, será porventura uma das melhores dentro do preço que este modelo é proposto. A bagageira tem uma capacidade para 245 litros (aumentáveis até aos 1130 litros, mediante o rebatimento (60/40), à moda antiga, dos bancos traseiros, que assim desvendam uma continuação do piso da mala totalmente na horizontal).

Ao volante somos confrontados com a falta de resposta do motor 1.1 de 60 cavalos. As acelerações são pouco convincentes, permitindo impulsionar, sem grande pressa, este utilitário até cerca dos 100 km/h, e esmorecendo rapidamente a partir deste ponto. Para ajudar, a caixa manual de cinco velocidades tem um comando impreciso e um curso demasiado longo, deixando o condutor em claras dificuldades quando precisa de algo mais do motor, em especial quando circula em cidade. Os consumos não são razões para grande preocupação caso se adopte um ritmo de condução pausado, mas se se tentar extrair um pouco mais de energia deste esforçado motor torna-se muito complicado ficar perto dos 6 l/100 km de consumo médio anunciado pela marca.

Em estrada, o esquema de suspensão, tipo McPherson à frente e eixo semi-rígido atrás, consegue oferecer um suficiente nível de conforto mas longe do que se espera de um automóvel, diríamos, novo. As dificuldades que a suspensão mostra em minimizar as irregularidades do piso, resulta em vibrações indesejáveis no habitáculo, prejudicando o conforto. A antiquidade do modelo é também evidente ao nível dos ruídos aerodinâmicos audíveis no seu interior. Em cidade, estes defeitos são atenuados, mostrando-se ágil e fácil de conduzir por entre os habituais obstáculos do trânsito.

Tratando-se de um modelo, considerado de baixo custo, o 206+ cumpre com o que é indispensável num automóvel citadino, com a vantagem de oferecer um amplo espaço interior e um traço que ainda hoje consegue apaixonar. Além disso, este 206+ na versão Trendy ensaiado custa algo como 12 mil euros e conta já com ar condicionado, sensores de luz, mais o auto-rádio e os faróis de nevoeiro, além dos imprescindíveis vidros eléctricos dianteiros e os espelhos retrovisores eléctricos. É possível prescindir de alguns destes «luxos» e fazer com que o acesso ao modelo seja feito por menos de 11 mil euros. Um cenário mais atractivo, mas ainda assim, o 107 1.0 de 69cv por este preço pode ser uma proposta mais equilibrada. Aqui está um interessante dilema...

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