Kia sobe de tom... ensaio ao Kia Venga 1.4 CRDi 75cv

Monovolume compacto da marca sul-coreana mostra-se um automóvel jovem e com forte personalidade, que não prescinde de argumentos como o espaço e uma versatilidade para qualquer tipo de utilização
19/11/2010 em Testes

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A ofensiva europeia da Kia sobe de tom com o Venga, um produto exclusivo para o Velho Continente que procura «abanar» com o nicho dos pequenos monovolumes e intrometer-se entre os utilitários de referência, trazendo consigo todos os ingredientes para ter sucesso...

A começar por uma estética atractiva capaz de agradar a gregos e a troianos e mostrar que os designers da marca não descuraram qualquer pormenor ao contrario de muitos modelos, que normalmente agradam parcialmente com uma dianteira atractiva e uma traseira menos conseguida ou o inverso. O Venga é precisamente o oposto. A dianteira alegre gera simpatia e a traseira destaca-se pelo equilíbrio de linhas modernas e arrojadas.

Se por fora transmite a ideia de um modelo compacto, tudo se transforma, quase radicalmente, a partir do momento em que entramos no habitáculo, com a funcionalidade de toda a organização, já por si só uma boa surpresa, a serem amplamente suplantadas pela habitabilidade – afinal, são pouco mais de quatro metros de comprimento, menos de 1,8 m de largura e 1,6 m de altura, mas ainda assim capazes de acomodar facilmente e com razoável conforto cinco adultos, beneficiada também pelo excelente acesso, assim como pela inexistência de qualquer túnel de transmissão, num contributo para o conforto a bordo em que se só faltam bancos mais macios.

Ainda antes de dar à chave, vale a pena experimentar os lugares de trás. O primeiro elogio vai para a ausencia de túnel central, que facilita a vida ao passageiro do meio. O espaço disponivel para as pernas e cabeça é bom, só o acesso se ressente um pouco com a linha descendente do tejadilho.

O banco traseiro é dividido nos clássicos 40/60, costas e assento. As duas partes deslizam para a frente, para aumentar a capacidade da mala, beneficiando a sua versatilidade. A bagageira também pode ser «modulada» através do piso amovível, criando alçapão com mais 18 litros de capacidade. Em lugar do pneu suplente encontra-se o kit anti-furo.

Em estrada, o Venga esconde a sua veia oriental com um pisar decidido, não sendo propriamente confortável, mas também longe de ser durinho, conseguindo um interessante equilíbrio, um pouco à imagem da actual oferta da marca, que tem vindo a privilegiar um comportamento mais orientado para a dinâmica que o Cee’d é o melhor exemplo.

De qualquer forma há um rigoroso controlo dos movimentos da carroçaria que só os pisos mais degradados acabam por perturbar o ambiente a bordo.

Ao volante, os comandos são suaves e relativamente precisos – a caixa podia ser mais e a direcção tem excesso de assistência a velocidades médias.

As vendas do Venga, em Portugal, recaiem maioritariamente na motorização turbodiesel 1.4 CRDi de 75 cavalos – existe uma versão topo de gama com 90cv e caixa de seis.

Este bloco de 75cv está muito bem aproveitado por uma caixa de cinco velocidades, de relações curtas, que para além de um funcionamento fácil e muito preciso, permite extrair tudo o que o motor tem para oferecer, e que não é pouco… É verdade que a resposta abaixo das 2000 rpm não vislumbra, mas acima desta faixa, sobe com fulgor, ganhando velocidade com grande facilidade, sempre com um desempenho muito suave e silencioso.

As relações curtas da caixa escondem a relação peso/potência, permitindo uma utilização viva na faixa intermédia de rotações. As acelerações resultam menos vigorosas, mas, ainda assim, longe de desiludir. Por falar em acelerações, o Venga equipado com este motor acelera dos 0 aos 100 km/h em 14,9 segundos e, segundo a marca, alcança os 157 km/h de velocidade máxima.

Equipado com o sistema ISG de Start&stop da Kia, integrado no pacote ecoDynamics, beneficiando emissões poluentes e os consumos, particularmente, em cidade, os consumos ficaram-se pelos 5,5 litros aos cem, sendo que em cidade chegamos a conseguir, com algum esforço, consumos na ordem dos 5 litros aos cem. A marca anuncia 4,5 litros de média e emissões de CO2 de apenas 118 g/km.

A versão EX, a ensaiada, está equipada de série com quase tudo o que é imprescindível no segmento, incluindo as jantes de liga leve, o ar condicionado (manual), faróis de nevoeiro, alarme, computador de bordo, quatro vidros eléctricos e retrovisores eléctricos. Não faltam também os airbags frontais, laterais e de cortina, assim como o controlo de estabilidade. Tudo de série, tal como a garantia de sete anos, «ex-lybris» da marca sul-coreana.

O preço de 18.490 euros aliado ao equipamento de série e a uma estética que agrada a todos poderá ser o factor-chave para que o Venga seja mais um caso de sucesso da marca em Portugal como o é o Cee’d. Por menos 1000 euros está disponível o nível de equipamento base e por 2000 euros a caixa de seis velocidades, motor de 90cv, tecto panorâmico e mais uma série de pormenores de requinte.

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