Peugeot RCZ: Apelo aos sentidos...

É o regresso da marca do Leão aos coupés compactos. Mesmo na versão mais acessível, o RCZ consegue ser tão perigoso quanto a sua imagem quer fazer crer...
29/04/2011 em Testes

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É, provavelmente, uma das mais apaixonantes criações da Peugeot, mas também da indústria automóvel dos últimos anos. Com linhas angulosas e apaixonantes, o Peugeot CRZ nasceu, inquestionavelmente, para coleccionar corações… A frente, qual felino pronto a atacar, cria curiosidade, mas é o perfil esguio e com cavas das rodas bem salientes, quase a fazer lembrar os carros de corridas de outros tempos, que nos deixa entusiasmados.

A traseira, muito prolongada e com um enorme óculo traseiro com duas «bossas» obriga a uns longos minutos de contemplação, de forma a fazer-nos acreditar que este modelo deixou mesmo as «passerelles» dos principais salões internacionais para fazer rodar cabeças por onde passa… É deste modo quase arrasador, que o mais recente desportivo da Peugeot – muita gente questiona se é mesmo um Peugeot - faz questão de reclamar para si todo o protagonismo onde quer que passa, num impacto a que, sublinhe-se, é preciso que os ocupantes de habituem, tais são os constantes olhares de que são alvo…

É que a mais arrojada criação da marca francesa nos últimos tempos, que pretende concorrer com modelos como o Audi TT ou o Volkswagen Scirocco, exibe um design praticamente idêntico ao do protótipo do qual herdou o nome, apresentado no Salão de Frankfurt em 2007.

Uma vez ultrapassada a soleira da porta, a sensação é menos intensa, com linhas tipicamente Peugeot, mas com alguns detalhes exclusivos e até algo «retro», com especial destaque para o refinado relógio analógico no topo da consola central. O “nosso” RCZ estava dotado do pack Couro Integral (3025 euros) o que significa que tudo é revestido a pele – não só os bancos, mas todo o tablier e o interior das portas, o que aumenta o requinte e a qualidade de vida a bordo.

Muito bem sentados ao volante - a posição de condução é rente ao chão como se quer num desportivo – de forma a garantir uma excelente integração do «piloto» com a máquina, contribuindo para isso os bancos tipo «Porsche» que encaixam de forma perfeita o corpo. A única coisa que destoa é um volante de diâmetro demasiado elevado, que tem a curiosidade de ser ligeiramente cortado na base, e uma consola central demasiado decalcada do 308 (merecia algo mais personalizado).

A fraca visibilidade traseira é minimizada com um sistema electrónico de ajuda ao estacionamento. O que não tem solução é mesmo o espaço nos bancos traseiros, já que são pouco mais que decorativos. Nem tudo pode ser perfeito… Por outro lado a bagageira apresenta um espaço expressivo, com uma capacidade acima da média (321 litros), um alçapão por baixo do piso falso, sem esquecer o contributo dado pelo rebatimento das costas dos bancos, que assim permitem aumentar o espaço disponível até aos 639 litros. Para viagens mais longas é excelente…

Motor enérgico

Ainda melhor é o conjunto mecânico. Equipado com um motor 1.6 THP a gasolina, o mesmo utilizado em diversos modelos da Peugeot e Citroen, assim como Mini Cooper, dotado de injecção directa e turbocompressor, com 156 cavalos de potência e 240 Nm de binário máximo, o menos potente dos RCZ consegue proporcionar uma condução entusiasmante. Acoplado a uma caixa manual de seis velocidades, o 1.6 THP responde desde as 1000 rpm e proporciona uma aceleração constante entre as 1500 e as 6700 rpm, com os 240 Nm de binário a estarem disponíveis logo às 1400 rotações. Num primeiro contacto, as relações de caixa longas criam a ideia de que o desempenho não corresponde à imagem do RCZ. Mas é um engano proporcionado pela forma refinada e controlada como a potência é transmitida às rodas dianteiras.

Os 8,1 segundos necessários para cumprir o tradicional exercício dos 0 aos 100 km/h e os 217 km/h de velocidade máxima anunciados pela marca francesa são números espectáveis para um desportivo que custa menos de 30.000 euros. As relações de caixa longas e o motor com força desde os baixos regimes contribuem para os excelentes consumos averbados: menos de 6 l/100 km a 120 km/h e valores na casa dos 7,5 l/100 km numa utilização normal, número que não anda longe dos 6,7 litros/100 km anunciados.

Em estrada, o desempenho é surpreendentemente neutro para um modelo de tracção dianteira – quem diria que a plataforma é uma evolução da utilizada no 308. A frente mostra-se muito autoritária e direccional, embora a direcção seja pouco directa. O amortecimento é firme mas tem curso suficiente para absorver desníveis e irregularidades sem perturbar a atitude do RCZ, que curva sempre com um rolamento de carroçaria mínimo e reacções rápidas, precisas e controladas.

Nas curvas mais abertas (e rápidas), o RCZ mostra grande estabilidade e, nas situações de muito apoio, sente-se sempre o carro «agarrado» à estrada, oferecendo ao condutor muita confiança para «desafiar» a curva seguinte. Para isso contribui a asa traseira, que se ergue de forma automática (embora exista botão na consola que mantém a asa «em cima») a partir dos 85 km/h, mudando a incidência (de 19 para 34 graus) acima dos 155 km/h, para garantir maior sustentação negativa, com naturais vantagens no comportamento a velocidades elevadas.

O RCZ é rápido, ágil e até confortável face à sua filosofia, o que, tudo somado, resulta em prazer de condução seja qual for a distância da viagem ou o ritmo da mesma. O preço pouco supera os 30 mil euros (30.090 euros sem despesas de averbamento e de transporte), um valor competitivo face às inegáveis qualidades de um dos mais emocionantes Peugeot do momento.

Para os mais exigentes, está disponível uma versão mais potente deste motor, com 200 cavalos de potência (33.050 euros), e uma versão diesel - 2.0 HDi de 163cv por 39.400 euros - a pensar nos adeptos da economia dos motores diesel.

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