Spark, a «faísca» que faltava à cidade

O preço, equipamento e o desenho inspirado deste pequeno Chevrolet deixam a concorrência para trás… pena o motor não deixar mais
07/04/2010 em Testes

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Face ao seu antecessor, o Spark é tudo mais… É maior, melhor equipado e construído, mais potente mas também mais pesado. No fundo, é mais… “carro”. É lançado numa altura em que se aposta mais nos citadinos, mais económicos e amigos do ambiente mas também em que o conceito «low cost» ganha peso na realidade automóvel e aposta no preço para conquistar uma maior fatia de clientes, com a gama a iniciar-se nos 9.850 euros.

No caso da unidade ensaiada, decidimos subir um pouco mais no patamar, tivemos oportunidade de experimentar a versão 1.0 LS, que custa mais 700 euros e já conta com ar condicionado e mais uns quantos equipamentos adicionais…

O perfil elevado ainda é muito Matiz, com o capot e o pára-brisas a seguirem quase a mesma linha. O Spark preenche os seus 3.64 metros de comprimento com linhas vincadas e bastante funcionalidade. É um dos raros utilitários a conjugar o útil formato de cinco portas com uma lotação de cinco lugares. Também é de salientar a vantagem prática dos vidros de manivela nas portas traseiras, quando a maioria da concorrência utiliza a mais simples abertura em compasso. E merece referencia o bom efeito, estético e prático, dos puxadores destas portas, camuflados no pilar traseiro em preto.

Menos abonatória é a mala, que só abre por dentro ou com a chave e cujos 170 litros de volume colocam o Spark entre a media no segmento. É possível dar a volta à situação, reclinando as costas dos bancos traseiros.

Acedendo ao interior, encontramos um design moderno, embora simples. O painel de instrumentos similar ao de um motociclo, é a principal nota de destaque, a que, depois do sol desaparecer, se junta a iluminação em tons de azul da consola central e painel de instrumentos. Em termos de equipamento de série, a versão ensaiada (Spark LS) conta com vidros eléctricos, fecho central de portas, ar condicionado manual, faróis de nevoeiro, airbags frontais, laterais e de cortina, alarme, rádio leitor de CD/MP3 com ligação Aux e USB.

A posição de condução elevada resulta bem no cenário citadino, mas também é uma forma de obviar a alta linha de cintura. Ao volante do Spark, não é preciso ter mais de 1,75 metros de altura para ter a sensação de que a pala do sol está a interferir com o seu campo de visão.

A versão mais modesta da gama conta com um motor de 1 litro de cilindrada com 68 cavalos, perfeitamente enquadrado com as exigências do segmento. Este bloco desperta com discrição, a embraiagem é levíssima, como se quer no dia-a-dia urbano, e a caixa de velocidades é suave no manuseamento. O mesmo acontece com os comandos secundários, correctamente posicionados, merecendo apenas critica os comandos do rádio, demasiado pequenos.

A condução é fácil, desde o primeiro momento, e o pequeno Chevrolet com uma suavidade que demonstra a evolução que os modelos «minis» têm vindo a ter ao longo dos últimos anos.

A primeira coisa a realçar na dinâmica do Spark é o equilíbrio entre conforto e eficácia. As rodas pequeninas destoam um pouco num carro tão bojudo, mas não representam uma limitação real para o trabalho do conjunto, que absorve as irregularidades sem deixar que se descomponha. A direcção tem uma desmultiplicação adequada para o tipo de veículo em causa e só o raio de viragem deveria ser mais pequeno, uma vez que se trata de um citadino. A visibilidade traseira também não é dos pontos mais fortes e a superior largura de ombros torna-o menos ágil que o Matiz no meio do transito…

O motor, cuja potência máxima é entregue às 6800 rpm, pede para ser puxado e só dá o melhor de si acima das 4000 rpm, com os 6,6 l/100 km/h a acabarem por ser um valor aceitável. Em cidade é possível ouvi-lo em esforço mas o ruído produzido em cidade não é motivo de preocupação. Já em estrada, não é bem assim… O Spark não é o carro mais adequado para fazer quilómetros fora do perímetro urbano. Ainda assim cumpre para o que se exige de um citadino.

Tendo em conta o equipamento de série e o preço, o Spark apresenta-se como uma das melhores opções no mercado. A estética arrojada, o interior apelativo são argumentos suficientes para que a Chevrolet continue a dar cartas no segmento dos citadinos depois do sucesso que foi o Matiz.

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