Auris HSD... o híbrido «convencional»
A Toyota implementou a tecnologia híbrida do Prius no modelo mais vendido da marca em Portugal, criando assim um híbrido capaz de agradar a gregos e a troianos...
28/01/2011 em Testes
Verde por dentro, convencional por fora, o Auris HSD responde a todos aqueles que pretendem ter um híbrido mas sem as formas de nave espacial normalmente associadas aos modelos mais ecológicos. O Auris Hybrid Synergy Driver é mais um passo à frente na estratégia híbrida que a Toyota pretende seguir na próxima década e promete uma potência de 136 cavalos com consumos na ordem dos 3,8 litros aos cem, 89 g/km de emissões poluentes e um preço de 24.996 euros.
Para desenvolver o Auris HSD, os engenheiros da Toyota tiveram pela frente um interessante desafio: o de introduzir a tecnologia híbrida do Prius num modelo convencional como o Auris. E conseguiram com os melhores resultados como constatamos ao longo do ensaio. Todas as qualidades do Prius estão lá, «embrulhadas» numa carroçaria capaz de agradar a gregos e a... troianos!
Por fora existem alguns pontos distintivos em relação ao Auris «normal». Caso da grelha frontal e pára-choques redesenhados, mas também a inclusão das modernas luzes diurnas. Os logótipos com sombreado azul são imagem de marca dos modelos verdes do construtor, enquanto a pintura em branco-pérola reforça a elegância e distinção do modelo.
Ao contrário do que é habitual, o interior do Auris não se transformou no cockpit de uma nave espacial como acontece com a grande maioria dos modelos híbridos, mantendo as formas e comandos tradicionais de um modelo convencional. Isto significa que a adaptação à condução do Auris híbrido é muito simples, mesmo para quem nunca conduziu carros de caixa automática e/ou híbridos. O comando da caixa de velocidades automática, em conjunto com os botões dos três modos de condução - EV, Eco e Power - é a principal novidade e alteração no interior do Auris híbrido face às versões convencionais, assim como o painel de instrumentos, onde se encontra o visor do modo de condução.
Foram também feitas alterações ao nível do chassis, tendo sido reduzida a altura ao solo para beneficiar a aerodinâmica e ajustes na suspensão de modo a equilibrar o peso, com a colocação das baterias na bagageira, que obrigaram à perda de 70 litros da sua capacidade.
Mas a grande novidade encontra-se debaixo do capot. O Auris híbrido partilha a tecnologia híbrida com a nova geração Prius, ou seja, um motor 1.8 de 99 cv a gasolina, auxiliado por um motor eléctrico, alimentado pela electricidade armazenada em baterias de níquel metal, colocadas na bagageira. A potência combinada é de 136cv, com a marca a anunciar um consumo médio de 3,8 l/100 km e emissões de CO2 de apenas 89 g/km.
Em estrada, o Auris HSD mostra-se muito fácil de conduzir, o desempenho é muito equilibrado e o sistema híbrido simplifica a condução. Os 136 cavalos de potência combinada entre os dois motores garantem performances assinaláveis para um «full-hybrid» - híbrido capaz de se mover apenas com energia eléctrica -, como os 180 km/h de velocidade máxima e uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 11,4 segundos.
Tal como o Prius, o Auris HSD conta com quatro modos de condução: motor térmico e eléctrico funcionam consoante as necessidades, modo totalmente eléctrico, modo económico e modo de potência. No primeiro caso, a apurada gestão do sistema HSD (Hybrid Sinergy Drive) faz funcionar o motor térmico e o motor eléctrico consoante a necessidade. No modo eléctrico, funciona apenas com o motor eléctrico alimentado pela bateria e consegue, desde que não excedamos os 50 km/h, andar assim durante 2 quilómetros.
No modo económico, o acelerador fica programado para entregar apenas uma parte da potência disponível quando carregamos no acelerador ao mesmo tempo que todo o sistema é optimizado para oferecer o menor consumo possível, enquanto o modo «Power», como o próprio nome indica, extrai tudo o que o conjunto oferece para uma condução mais despachada, mas também menos ecológica e muito menos... económica.
No interior, existe um enorme mostrador que possui uma escala que nos informa se o sistema está a carregar as baterias, se vamos a conduzir de uma forma económica ou se estamos a usar todos os recursos do sistema híbrido.
Em estrada, facilmente percebemos a facilidade com que o Auris híbrido cumpre os limites legais de velocidade com consumos abaixo dos 5 litros de gasolina por cada 100 quilómetros, aumentando para números em torno dos seis litros num percurso misto cidade/estrada. Pena que no modo “Power” o ruído do conjunto seja algo exagerado.
Nas situações de tráfego intenso, nomeadamente as habituais filas de trânsito citadino, podemos rolar no modo “eco” com grande facilidade e com consumos verdadeiramente reduzidos, inferiores a 4 litros aos 100 km. Naturalmente que se quisermos aproveitar todas as potencialidades dos motores térmico e eléctrico, de um motor capaz de desenvolver mais de 130cv, o consumo dispara e chega aos dois dígitos sem nos apercebermos.
Fiel aos genes ecológicos da Toyota, o Auris é a expressão prática dos avanços da tecnologia neste domínio. Consumo reduzido, baixíssimos níveis de emissões e de ruído, com potência e desempenho de um motor de 2 litros a par da facilidade de condução afirmam-se como factores relevantes deste híbrido capaz de agradar a gregos e a troianos...
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